A
Educação Escolar da Pessoa com Surdez
A Política Nacional de Educação Especial
na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro do propósito de
mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais para
promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum.
Muitos desafios precisam ser enfrentados e as propostas educacionais revistas,
conduzindo a uma tomada de posição que resulte em novas práticas de ensino e
aprendizagem consistentes e produtivas para a educação de pessoas com surdez,
nas escolas públicas e particulares.
Pensar e construir uma prática
pedagógica que assuma a abordagem bilíngüe e se volte para o desenvolvimento
das potencialidades das pessoas com surdez na escola é fazer com que esta
instituição esteja preparada para compreender cada pessoa em suas
potencialidades, singularidades e diferenças e em seus contextos de vida.
Na abordagem bilíngüe, a Libras e a
Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, quando ensinadas no âmbito
escolar, são deslocadas de seus lugares especificamente lingüísticos e deve ser
tomada em seus componentes histórico-cultural, textual e pragmático, além de
seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxico e
semântica. Para que isso ocorra, não se discute o bilingüismo com olhar
fronteiriço ou territorialidade, pois a pessoa com surdez não é estrangeira em
seu próprio país, embora possa ser usuária da Libras, um sistema lingüístico
com características e status próprios.
Diante do exposto, a proposta de
educação bilíngüe pauta a organização da prática pedagógica na escola comum, na
sala de aula comum e no AEE. O AEE PS envolve três momentos
didático-pedagógicos:
* Atendimento Educacional Especializado
em Libras;
* Atendimento Educacional Especializado
de Libras;
*Atendimento Educacional Especializado
de Língua Portuguesa.
O AEE em seus três momentos visa oferece
a esses alunos a oportunidade de demonstrarem se beneficiar de ambientes
inclusivos de aprendizagem.
Atendimento
Educacional Especializado em Libras
O AEE em Libras fornece a base
conceitual dos conteúdos curriculares desenvolvidos na sala de aula. Esse
atendimento contribui para que o aluno com surdez participe das aulas,
compreendendo o que é tratado pelo professor e interagindo com seus colegas. A
proposta pedagógica deve possibilitar a ampliação da relação dos alunos com o
conhecimento, levando-os a formular suas ideias, a partir do questionamento de
pontos de vista e da liberdade de expressão. Para que os construam conhecimentos,
as aulas devem ser planejadas pelos professores das diferentes áreas.
Atendimento
Educacional Especializado de Libras
Na organização do AEE de Libras, o
professor de Libras deve planejar o ensino dessa língua a partir dos diversos
aspectos que envolvem sua aprendizagem, como: referencias visuais, anotação em
língua portuguesa, datilologia (alfabeto manual), parâmetros primários e
secundários, classificadores e sinais. Para atuar no ensino de Libras, o
professor do AEE precisa ter conhecimento, estrutura e fluência na Libras,
desenvolver os conceitos em Libras de forma vivencial e elaborar recursos
didáticos.
Atendimento
Educacional Especializado de Língua Portuguesa
A proposta didático-pedagógica para se
ensinar português escrito para os alunos com surdez orienta-se pela concepção
bilíngüe - Libras e Português escrito, como línguas de instrução destes alunos.
A escola constitui o lócus da aprendizagem formal da língua Portuguesa na
modalidade escrita, em seus vários níveis de desenvolvimento. Na educação
bilíngüe os alunos e professores utilizam as duas línguas em diversas situações
do cotidiano e das práticas discursivas.
BIBLIOGRAFIA
Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com
Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção.
DAMÁZIO,
Mirlene F. M. Atendimento Educacional
Especializado: Pessoa com surdez. Curitiba: CROMOS, 2007. p. 25-52.
KOZLOWSKI,
Lorena. A proposta bilíngüe de educação
do surdo. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nº 10, p. 47-53,
julho-dezembro,1998.