segunda-feira, 30 de junho de 2014

AEE - "MODELO ÚNICO"


“Atendimento Educacional Especializado – Modelo único”

Uma das inovações trazidas pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) é o Atendimento Educacional Especializado - AEE, um serviço da educação especial que "[...] identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas" (SEESP/MEC, 2008).

Portanto o professor do AEE deverá identificar as potencialidades e habilidades do aluno e a partir dessas características, traçar o seu plano de atendimento. Diante das evidências podemos perceber a importância do Estudo de Caso para o desenvolvimento do trabalho do professor. Ou seja, ele precisa conhecer o aluno para suprir a suas necessidades e desenvolver suas habilidades e, com esse estudo o professor do AEE irá estudar o seu aluno minuciosamente e conhecê-lo bem. Visto que o professor já conhece seu aluno suas necessidades e habilidades o plano deve ser elaborado com o objetivo de igualar condições, romper barreiras e possibilitar a participação efetiva e plena na sociedade. Depois de toda esta pesquisa o professor do AEE tem preparo para contribuir para a aprendizagem e desenvolvimento do aluno atendido na SRM, e propor ações e parcerias com o professor de sala de aula e outros profissionais. O plano bem elaborado acompanhado, periodicamente para a averiguação dos resultados alcançados, e adequações necessárias, certamente contribuirá para a aprendizagem e desenvolvimento do aluno. Pois ninguém é igual a ninguém dessa forma deveremos valorizar em primeiro lugar o aluno como ser humano, suas habilidades e suas potencialidades e partir de então tomar como base estas qualidades para tentar desenvolver sua autonomia frente as barreiras encontradas na sociedade. No Atendimento Educacional Especializado não deve ter um modelo a seguir, o próprio modelo deverá ser o aluno que iremos tomar como base para desenvolver suas potencialidades. Diante disso o Plano de Atendimento Educacional Especializado deverá ser único – mesmo que tenham a mesma deficiência - pois antes da deficiência somos seres únicos com suas individualidades, potencialidades e dificuldades.



“O modelo dos modelos”
Italo Calvino

Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..] Mas se por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas. [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.
Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais, mas é a única que lhe parece praticável.



terça-feira, 10 de junho de 2014

 Linguagem e Rotina Diária
Esta atividade poderá ser utilizada para o desenvolvimento das habilidades dos alunos com TEA: Autismo; Asperger; Transtorno desintegrativo da infância e o Transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação. É recomendada para qualquer idade e poderá ser utilizada em qualquer ambiente escolar ou até mesmo em casa.



Cartões confeccionados com papel cartão e figuras representando atividades da vida diária. As figuras poderão ser escolhidas com o auxílio do aluno. Esta atividade irá ampliar a comunicação do aluno com TEA. Lembrando que a atividades por si só não garante o desenvolvimento. É necessário que a mesma seja utilizada com a mediação em interação do aluno com seus pares.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Surdocegueira e Deficiência Múltipla

SURDOCEGUEIRA E DEFICIENCIA MÚLTIPLA

“O termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. No entanto, não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.” (MEC – 2006)
“Considera-se uma criança com deficiência múltipla sensorial aquela que apresenta deficiência visual ou auditiva, associada a outras condições de comportamento e comprometimentos, sejam elas na área física, intelectual ou emocional, e dificuldades de aprendizagem.” (MEC/SEESP/2006).
Segundo Orelove e Sobsey (2000) as pessoas com deficiência múltipla são indivíduos com comprometimentos acentuados no domínio cognitivo, associados a comprometimentos no domínio motorou no domínio sensorial (visão ou audição) e que requerem apoio permanente, podendo ainda necessitar de cuidados de saúde específicos.
A deficiência múltipla é uma condição que resulta de uma etiologia congênita ou adquirida. Esses mesmos autores referem ainda que não se trata da somatória de deficiências. Segundo Nielsen, é difícil para uma pessoa lidar com uma deficiência se seus recursos são insuficientes por outra deficiência. E que devemos pensar, no caso de uma pessoa cega com déficit intelectual, que é uma pessoa deficiente cuja cegueira esta multiplicada pelo déficit de inteligência. A autora diz ainda que quanto maior for o numero de deficiências, maior o risco da pessoa não conseguir fazer uso de todas as habilidades que possui e, assim sendo, a associação de diferentes problemas resultará em necessidades educacionais únicas.
É importante esclarecermos que as pessoas com surdocegueira não são classificadas como múltiplas, pois quando elas têm oportunidades interagem com o meio e com as pessoas adequadamente. 
Denomina-se surdocego àquele que possui dificuldades visuais e auditivas, independentemente da sua quantidade. “Uma pessoa que tenha deficiências visuais e auditivas de um grau de tal importância, que esta dupla perda sensorial cause problemas de aprendizagem, de conduta e afete suas possibilidades de trabalho, é denominada surdocega”. OLSON, Stig, Surdocegueira. Apresentação na “A surdez: um mundo de encontro”, Santa Fé de Bogotá, 1995.
A surdocegueira é uma deficiência única e especial que requer métodos de comunicação especiais, para viver com as funções da vida cotidiana. (BEST Tony Information Guide, definições de surdocegueira usadas em outros países. Documento sem editar).
A comunicação entre os seres humanos é um processo interpessoal por meio do qual se estabelecem vínculos com os outros; esta relação é estabelecida de diferentes maneiras e, segundo as possibilidades comunicativas de cada um, pode acontecer com movimentos do corpo, utilizando objetos do ambiente ou desenvolvendo um código linguístico.
O uso de objetos reais é uma possibilidade que consiste em interpretar uma atividade, ação ou situação por meio de um objeto, que adquire um valor simbólico. Por meio do uso dos objetos, a criança pode compreender e expressar as intenções comunicativas.
Em outras palavras, a comunicação é um ato intersubjetivo que acontece entre duas ou mais pessoas, onde há uma troca entre significados e sentidos. (Habermas, Jurgen.1991).
O que foi mencionado anteriormente permite estabelecer a via pela qual se concebe a comunicação e o caráter flexível que possui com relação às possibilidades que cada sujeito demonstra.
A comunicação não só acontece no âmbito verbal, mas transcende o não verbal, como modalidade discursiva que tem um conteúdo expressivo e compreensivo, apto para ser incluso dentro do fenômeno comunicativo humano.
Nas crianças com surdocegueira e com deficiência múltipla, a COMUNCIAÇÃO é o aspecto mais importante e, por isto, deve-se focar nele toda a atenção na implementação do programa educacional/terapêutico, já que é o ponto de partida para chegar a qualquer aprendizagem.
Analisando as necessidades de uma pessoa com surdocegueira e com deficiência múltipla e as consequências que a falta de comunicação pode trazer a abordagem educacional deve ter estratégias planejadas de forma sistemática, num modelode colaboração na qual a comunicação seja a prioridade central. 
É necessário organizar o mundo da pessoa por meio do estabelecimento de rotinas claras e uma comunicação adequada. É preciso desenvolver atividades de maneira multissensorial para garantir aproveitamento de todos os sentidos e que sejam atividades que proporcionem uma aprendizagem significativa com oportunidades de generalizar para outros ambientes e pessoas (atividade funcional). 
A pessoa com surdocegueira e com deficiência múltipla necessita de um ambiente reativo, isto é, que responda a suas iniciativas. Seu tempo de resposta deve ser respeitado e a habilidades de fazer escolhas deve estar dentro de suas atividades programadas. 
A habilidade de se comunicar se desenvolve assim que a criança adquire a compreensão de objetos e do ambiente social e os meios para controlar e afetá-los. Quando aspectos do ambiente podem ser representados e referidos ambos mentalmente e por ações e se adquire conhecimento de símbolos para uso interno para pensamento e uso externo para comunicar pensamentos aos outros.
Comunicação é um aspecto cognitivo e em reflexo do desenvolvimento cognitivo revelado durante interações sociais.
Esta abordagem educacional nada mais é do que o trabalho em equipe. Segundo Nunes (1999) no trabalho com a pessoa com surdocegueira e com deficiência múltipla é fundamental a colaboração da família bem como dos profissionais de outros serviços no qual todas as pessoas partilhem dos mesmos objetivos. A intervenção se torna mais rica e a responsabilidade é partilhada por todos, assim a família não se sente isolada nem tampouco atribui sucessos e fracassos inteiramente a escola. 
Todos devem trabalhar visando à máxima independência possível da pessoa ensinando a ter autonomia para levar uma vida digna. Independência possível no sentido de considerar as dificuldades motoras e cognitivas da pessoa.






REFERÊNCIAS

BOSCO, Ismênia Carolina Mota Gomes. A Educação Especial Na Perspectiva da Inclusão Escolar: Surdocegueira e Deficiência Multipla / Ismênia Carolina Mota Gomes Bosco, Sandra Regina Stanziani Higino Mesquita, Shirley Rodrigues Maia. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria da Educação Especial; [Fortaleza] : Universidade Federal do Ceará, 2010. V.5 (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar).

MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Multipla. São Paulo, 2011.

SERPA, Ximena.Título original: Comunicación para Persona Sordociegas.: Instituto Nacional para Cegos - Bogotá – Colômbia - Ano 2002.PublicaçãoTítulo em Português - Comunicação para Pessoa com surdocegueira.Tradução: Miriam Xavier de Oliveira (2004).Revisão: Shirley Rodrigues Maia (2005).
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domingo, 9 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoa com Surdez

A Educação Escolar da Pessoa com Surdez

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais para promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum. Muitos desafios precisam ser enfrentados e as propostas educacionais revistas, conduzindo a uma tomada de posição que resulte em novas práticas de ensino e aprendizagem consistentes e produtivas para a educação de pessoas com surdez, nas escolas públicas e particulares.
Pensar e construir uma prática pedagógica que assuma a abordagem bilíngüe e se volte para o desenvolvimento das potencialidades das pessoas com surdez na escola é fazer com que esta instituição esteja preparada para compreender cada pessoa em suas potencialidades, singularidades e diferenças e em seus contextos de vida.
Na abordagem bilíngüe, a Libras e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, quando ensinadas no âmbito escolar, são deslocadas de seus lugares especificamente lingüísticos e deve ser tomada em seus componentes histórico-cultural, textual e pragmático, além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxico e semântica. Para que isso ocorra, não se discute o bilingüismo com olhar fronteiriço ou territorialidade, pois a pessoa com surdez não é estrangeira em seu próprio país, embora possa ser usuária da Libras, um sistema lingüístico com características e status próprios.
Diante do exposto, a proposta de educação bilíngüe pauta a organização da prática pedagógica na escola comum, na sala de aula comum e no AEE. O AEE PS envolve três momentos didático-pedagógicos:
* Atendimento Educacional Especializado em Libras;
* Atendimento Educacional Especializado de Libras;
*Atendimento Educacional Especializado de Língua Portuguesa.
O AEE em seus três momentos visa oferece a esses alunos a oportunidade de demonstrarem se beneficiar de ambientes inclusivos de aprendizagem.

Atendimento Educacional Especializado em Libras

O AEE em Libras fornece a base conceitual dos conteúdos curriculares desenvolvidos na sala de aula. Esse atendimento contribui para que o aluno com surdez participe das aulas, compreendendo o que é tratado pelo professor e interagindo com seus colegas. A proposta pedagógica deve possibilitar a ampliação da relação dos alunos com o conhecimento, levando-os a formular suas ideias, a partir do questionamento de pontos de vista e da liberdade de expressão. Para que os construam conhecimentos, as aulas devem ser planejadas pelos professores das diferentes áreas.

Atendimento Educacional Especializado de Libras

Na organização do AEE de Libras, o professor de Libras deve planejar o ensino dessa língua a partir dos diversos aspectos que envolvem sua aprendizagem, como: referencias visuais, anotação em língua portuguesa, datilologia (alfabeto manual), parâmetros primários e secundários, classificadores e sinais. Para atuar no ensino de Libras, o professor do AEE precisa ter conhecimento, estrutura e fluência na Libras, desenvolver os conceitos em Libras de forma vivencial e elaborar recursos didáticos.

Atendimento Educacional Especializado de Língua Portuguesa

A proposta didático-pedagógica para se ensinar português escrito para os alunos com surdez orienta-se pela concepção bilíngüe - Libras e Português escrito, como línguas de instrução destes alunos. A escola constitui o lócus da aprendizagem formal da língua Portuguesa na modalidade escrita, em seus vários níveis de desenvolvimento. Na educação bilíngüe os alunos e professores utilizam as duas línguas em diversas situações do cotidiano e das práticas discursivas.

BIBLIOGRAFIA                                                                                                                           

Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção.

DAMÁZIO, Mirlene F. M. Atendimento Educacional Especializado: Pessoa com surdez. Curitiba: CROMOS, 2007. p. 25-52.

KOZLOWSKI, Lorena. A proposta bilíngüe de educação do surdo. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nº 10, p. 47-53, julho-dezembro,1998.